CRECI 21504J

55 11 99666-3888 55 11 99730-3888

Quer construir sua obra?

Imprensa - Notícias Premoeng Imóveis

Zona leste de São Paulo atrai grandes obras

Tempo gasto para trafegar na região cairá para 50 minutos; tecnologia usada será a de monotrilho, que usa via elevada ao invés de subterrânea

Por: Alex Ricciardi


São Paulo


As empreiteiras OAS, Queiroz Galvão e a fabricante canadense de equipamentos ferroviários Bombardier serão as responsáveis por tirar o extremo leste da cidade de São Paulo de seu atual isolamento. A região, que é símbolo da classe C paulistana, deve ganhar até o final de 2013 o primeiro trecho de um monotrilho que será erguido ali, o qual ligará a Estação Vila Prudente do metrô à futura Estação Oratório do monotrilho. Depois uma nova extensão da linha ficará pronta até São Mateus, em 2014. Por fim, em 2016, o monotrilho alcançará o ponto mais distante do leste da capital paulista com a construção da linha Hospital Cidade Tiradentes. Serão ao todo 24,5 km de linha e 17 estações, edificadas a um custo de US$ 1,44 bilhão.


A previsão é que por essa via trafegarão 54 trens, os quais puxarão 378 vagões de passageiros a uma velocidade média de 80 quilômetros por hora. Tal como ocorre hoje na linha amarela do metrô paulistano — a mais moderna do sistema atualmente — as conduções dispensarão condutor para rodar. Este monotrilho, que se chamará Expresso Tiradentes, é na verdade a mais nova — e, espera-se, a definitiva — versão do célebre Fura-Fila, idealizado em meados de 1995 pela prefeitura paulistana e que não vingou. Agora encampado pelo governo estadual, o sistema será formado por composições que correrão sobre uma linha aérea, a qual será sustentada por uma série de enormes pilares de concreto ao longo de toda sua extensão: “Nosso produto conta com capacidade de transporte semelhante à do metrô, mas usa uma infraestrutura leve e elegante que reduz pela metade tanto o preço da construção como os prazos de implantação do projeto”, afirma André Navarri, presidente mundial da Bombardier Transportation. “Nosso monotrilho pode ser posto de pé sem a necessidade de grandes obras de infraestrutura e construção civil”, frisa ele.

50 minutos


Hoje, a parte da ponta leste da cidade que a nova linha irá atender leva mais de 2 horas para ser percorrida pela população local. Com o novo sistema este tempo cairá para 50 minutos. Estima-se que o monotrilho servirá ao menos 500.000 usuários na região, gerando para cada pessoa um ganho de 3 horas disponíveis por dia. “Quando o sistema começar a operar, cada um de seus trens vai tirar de circulação 15 ônibus lotados da região metropolitana de São Paulo”, detalhou o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes.


Ele lembra outros projetos de transporte público que estão sendo tocados no estado: “A linha 2 do metrô paulistano está com obras de expansão, e também a 4, a 5 e a 17; esta última também será um monotrilho. Atualmente em lugar algum do mundo, à exceção da China, está sendo tocado um conjunto de obras ferroviárias tão grande como este”.


Já a Bombardier tem ambições ainda maiores para o Brasil. A companhia continua de olho nas possibilidades de negócio que podem surgir a partir da implantação do Trem de Alta Velocidade (TAV) no País — ainda que, na avaliação do diretor de Relações Institucionais da empresa para a América Latina, Luís Ramos, as construtoras devam liderar a implantação do projeto: “Se formos olhar para o componente ferroviário, ele é só 10% do projeto total [do TAV]. Este é um projeto de obra civil. Não é uma empresa como a Bombardier ou outra fabricante de trens que pode liderá-lo. Terão de ser as construtoras civis”, frisou o profissional.

Congonhas e Campinas


A linha 17-Ouro a que Fernandes se refere é uma das mais necessárias para a capital, pois unirá o metrô paulistano ao aeroporto de Congonhas e servirá a uma área hoje carente de transporte público. Ela terá 7,7 quilômetros e 8 estações: Jardim Aeroporto, Congonhas, Brooklin, Vereador José Diniz, Água Espraiada, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Morumbi. Técnicos do metrô preveem que essa parte da obra entrará em operação em 2014. O custo total para a construção da linha 17 do sistema está orçado em R$ 3,2 bilhões. Mais de 160 imóveis já foram desapropriados para tanto, e ao ser escolhida para fornecer os trens do Expresso Tiradentes, a Bombardier torna-se forte candidata a exercer o mesmo papel até Congonhas.


Cobrado acerca de soluções semelhantes para outras cidades do estado, o secretário observou que o governo tem intenção de levar o Expresso Tiradentes (ou Expresso Leste, como é oficialmente chamado) até o Município de Suzano. A extensão das linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) de Jundiaí até Campinas também vem sendo estudada pelo poder público estadual. Mas a ligação principal desta última cidade com o restante do País deve mesmo ficar por conta do TAV, o qual está projetado para unir Campinas a São Paulo e esta ao Rio de Janeiro, com paradas intermediárias.

Novo presidente


Todas as declarações foram dadas na sexta-feira durante a inauguração da nova fábrica da Bombardier em Hortolândia (SP). Na ocasião, o governador paulista, Geraldo Alckmin, também anunciou o novo presidente do metrô de São Paulo, o engenheiro Peter Walker, hoje secretário-adjunto de Transportes Metropolitanos. Questionado pelo DCI se a indicação de Walker corresponde a alguma tentativa de alteração dos rumos do metrô (o qual tem frequentado o noticiário muitas vezes associado a denúncias de corrupção e atrasos na entrega de estações), Alckmin negou: “Não há mudança em nossa orientação para o Metrô. Haverá só uma ênfase ainda maior de nossa parte no sentido de se agilizarem as obras da empresa”.


No entanto, tudo indica que há um impasse no plano estratégico do governo, ou pelo menos no discurso político. O próprio Walker não garante que tais obras correrão com mais celeridade. “As licenças ambientais continuam a ser um grande entrave ao avanço do metrô”, disse ele. “Dificuldades com desapropriações e a falta de mão de obra também são problemas sérios que enfrentamos”. Apenas há poucos dias, exemplificou, a companhia conseguiu da Secretaria do Meio Ambiente do Município de São Paulo a licença ambiental para o início das obras do primeiro trecho da já citada Linha 17 do metrô.